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domingo, 5 de março de 2017

Nunca desistir! Nada te impede de ser o que desejas!

Este não é um caso novo mas que não poderia deixar de partilhar.
Esta é a história de um rapaz de 16 anos com Síndrome de Down que toca violino e fala 4 línguas: Inglês, Espanhol, Francês e Latim.



Emmanuel Joseph Bishop, foi educado na casa dos pais e desde os 6 anos que se interessou pelo violino.

Este jovem tem lutado, com a ajuda dos pais que nunca duvidaram das suas capacidades, contra estigmas e preconceitos e tem participado em conferências por vários continentes de forma a mostrar que devemos lutar pelos nossos sonhos.

A história deste jovem inspira crianças um pouco por todo o mundo, especialmente crianças com síndrome de Down.

Partilho aqui um video onde é possível ver e ouvir Emmanuel a tocar violino com a "Antalya State Symphony Orchestra".




quarta-feira, 1 de março de 2017

Algumas Dicas para nos ouvirem sem subir o tom de voz!

Muitas vezes necessitamos aumentar o nosso tom de voz e até mesmo falar altíssimo para nos conseguirem ouvir, sendo eu próprio também a fazer isso, no entanto existem outras maneiras que podem funcionar melhor do que aumentar o tom de voz... Aqui ficam algumas dicas (para uns funciona para outros nem por isso):



Dica 1: Conseguem ouvir?
Escolher um instrumento de percussão como um triângulo, um tambor ou uma pandeireta. 
Peça que os alunos levantem a mão se conseguirem ouvir o som que ele emite. Vá tocando e diminuindo progressivamente seu volume até que fique quase imperceptível. O objetivo é centrar a atenção dos alunos através da audição.

Dica 2: Segue-me!
Diga aos alunos que, quando eles estiverem distraídos, você mandará um sinal que apenas os que tiverem atentos conseguirão ver. O sinal pode ser um gesto como tapar um olho ou acariciar a própria cabeça, desde que não emita nenhum som. Com isso, captará a atenção do grupo através da linguagem corporal e consciência do ambiente ao redor.

Dica 3: Recitar um poema
Ensine aos alunos um poema fácil e peça para que eles decorarem. Quando estiverem dispersos, comece a recitá-lo em voz alta até que toda turma o acompanhe. Assim, você retomará a atenção da turma com o som e a repetição conjunta.

Dica 4: Fechar os olhos e respirar
Coloque uma música tranquila e peça para os alunos taparem os olhos e respirarem fundo acompanhando a melodia. Sugira que eles percebam o movimento de entrada e saída do ar pelo corpo. Quando estiverem mais calmos, peça para que abram os olhos e retome a aula.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Pirâmide de Aprendizagem, segundo William Glasser

Segundo William Glasser esta é a pirâmide de como aprendemos.
William Glasser foi um psiquiatra americano que desenvolveu a teoria da realidade e da escolha, e segundo o mesmo aprendemos:

  • 10% quando lemos;
  • 20% quando ouvimos;
  • 30% quando observamos;
  • 50% quando observamos e ouvimos;
  • 70% quando discursamos e discutimos determinados assuntos com os demais;
  • 80% quando fazemos, ou seja, colocamos em prática o que ouvimos, lemos e aprendemos com os outros;
  • 95% quando colocamos em prática o que aprendemos, explicando e mostrando aos outros.



Glasser aplicou assim a sua teoria da escolha a nível da educação, afirmando que o professor serve para o aluno como um guia e não como um chefe.
William Glasser afirma ainda que não se deve trabalhar apenas com memorização pois assim o aluno esquece mais rapidamente o que aprendeu do que se colocar em prática a teoria.

Tamara: a menina surda!!! Nunca devemos desistir dos nossos sonhos...:

Faz alguns dias que enquanto dava uma aula de música e falava de um compositor clássico, Beethoven, os meus meninos ficaram surpreendidos por Beethoven a partir dos 26 anos ter começado a ficar surdo mas mesmo assim ter continuado a compor e a tocar...

Então aqui está uma curta metragem que nos conta a história de uma menina que era surda e sonhava ser bailarina.



De seu nome "Tamara", esta curta metragem é uma pequena história de superação, e em que nos mostra que nunca devemos desistir dos nossos sonhos...

Para quem quiser assistir aqui fica o video...



Uma das questões mais importante abordadas nesta curta metragem, do meu ponto de vista (e creio que muitos concordam comigo) é que qualquer criança (e não só) é um individuo potencial, ou seja, tudo irá depender das oportunidades que lhe damos e do olhar que lançamos sobre o seu sonho, por isso não devemos desistir nem deixar que o próprio desista dos seus sonhos.



domingo, 19 de fevereiro de 2017

Ideias de jogos de relaxamento para crianças

Numa Era em que as novas tecnologias dominam (que no meu ponto de vista cada vez se tornam mais agressivas para as crianças), é cada vez mais importante ensinarmos técnicas de relaxamento que possam acalmar as nossas crianças.Por isso mesmo deixo aqui hoje algumas técnicas que podem colocar em prática facilmente.


  • Técnica do Balão: Para esta técnica necessitamos apenas de vários balões coloridos e um espaço mais ou menos amplo. Com o primeiro balão devemos deixar a criança soprar até explodir (o que a irá assustar). De seguida com um novo balão devemos pedir à criança que o encha lentamente e que vá controlando a sua respiração lentamente. Após o enchimento do balão a criança deve imaginar-se sendo o próprio balão, e que há medida vá respirando como se fosse o próprio ar do balão a sair do mesmo.


  • Técnica da flor/árvore: Aqui pedimos à criança que se ajoelhe e que imagine que é uma pequena semente que está sendo plantada. Com música relaxante vamos pedindo à criança que se vá levantando lentamente como se fosse a árvore/ flor a crescer.


  • Técnica da Garrafa: Enchemos uma garrafa com água, e colocamos um pouco de silicone liquido para dar alguma densidade à agua, deitando por fim algumas purpurinas no liquido. Após finalizado a criança deve agitar a garrafa e ao som de uma melodia calma deve observar o movimento colorido das purpurinas até as mesmas pararem por completo. Devemos ainda explicar no fim do exercício que as purpurinas são as suas emoções que no início estão agitadas e que lentamente se vão acalmando.


  • Técnica das Mandalas: Talvez esta seja a técnica mais comum no entanto, importa salientar que pintar mandalas favorece o relaxamento, a reflexão, a capacidade de concentração e a habilidade criativa.


  • Técnica da Vela: Para esta atividade necessitamos apenas de uma vela. No inicio devemos acender a vela e colocá-la junto da criança que deverá soprar para a mesma se apagar. De seguida voltamos a acender a mesma vela e pedimos á criança que mais afastado da mesma vá respirando e verificando os movimentos que a chama da mesma faz, sem a apagar. 


Já praticou alguma? Então porque não fazer hoje mesmo uma delas e ver o resultado final mas, tome em atenção que cada criança é uma criança individual e o que resulta com uma poderá não resultar com outra.



sábado, 18 de fevereiro de 2017

As 10 novas competências a adquirir na escolaridade obrigatória

Após algumas alterações do anterior governo, estas são as novas 10 competências chave a adquirir na escolaridade obrigatória:

  1. Saber utilizar diferentes linguagens e textos;
  2. Transformar a informação em conhecimento e comunicar corretamente;
  3. Raciocinar e resolver problemas através da pesquisa e projetos;
  4. Desenvolver o pensamento critico e o pensamento criativo;
  5. Aprender a relacionar-se, a interagir e a trabalhar em equipa;
  6. Aprender de forma autónoma e procurar o desenvolvimento pessoal;
  7. Adotar comportamentos que promovam o bem estar e a saúde;
  8. Ter sensibilidade estética e artística;
  9. Compreender e aplicar saber técnico e tecnologias;
  10. Ter consciência e domínio do corpo.  




No entanto não são apenas estas as alterações do atual governo.... 

Ao contrário do anterior que dividiu as disciplinas entre primárias (português e matemática) e as restantes  (ciências humanas, sociais e artísticas), o atual governo irá retirar horas à matemática e português para as ciências sociais e tornando o plano curricular mais equilibrado.
Volta ainda a fazer parte do plano curricular a educação cívica e a área projeto...




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O poder do jogo na educação e na aprendizagem

Durante os últimos anos muito se tem falado do poder do jogo e das atividades práticas no contexto de aprendizagem e como contribui para a mesma.
Esta "gamification" tem como objetivo principal o uso de jogos de forma a ajudar na concentração para atingir determinado objetivo.
Assim sendo:

  • desperta ainda o interesse na matéria;
  • contribuí para a participação grupal/individual;
  •  desenvolve a autonomia;
  •  aumenta a criatividade;
  • promove o diálogo entre participantes;
  • entre outras, com o objetivo comum de resolver a situação/problema.


Mas enganam-se aqueles que acham que para este tipo de "gamification" se utilizam jogos já construídos. Muito pelo contrário... O mais importante é a construção/ elaboração de raiz dos "nossos" próprios jogos. 

Assim sendo, devemos explorar diversas dinâmicas em sala de aula envolvendo o aluno na criação desse jogo, contribuindo para um maior interesse por parte da turma. 

Assim sendo, e resumidamente, esta "gamification" leva a que as aulas se tornem mais atrativas, contextualizadas e produtivas para os alunos, promovendo:

  • A interatividade;
  • o trabalho em grupo;
  • a linguagem técnica/ tecnológica/ científica;
  • a resolução de problemas;
  • o alcance de objetivos.







sábado, 5 de novembro de 2016

Primeiro dia de aulas para criança com paralisia cerebral

A história da curta metragem que apresento já não é nova mas não deixa de ser um bom filme para mostrar a todas as crianças e mostrar como devemos aceitar todos, e que apesar de existirem meninos diferentes eles continuam a ser crianças iguais a todos nós. "Todos diferentes, todos iguais" não é apenas uma expressão mas sim uma grande verdade e forma de encarar a vida.

A história desta curta metragem iniciou-se com o livro "Porquê Heloísa?", de Cristiana Soares, e leva o leitor e agora espectador a pensar no conceito "deficiência". A história mostra e dá continuidade ao primeiro dia de aulas de uma menina com paralisia cerebral, mostrando ainda outros aspetos da infância e das relações familiares.

Aproveite, veja e mostre ao seu filho, pois este é uma boa maneira de lhe mostrar como devemos aceitar todos, independentemente da cor da pele, religião, crença ou características físicas.


Alguns benefícios do "Brincar" para as crianças

Brincar sempre foi uma das melhores formas de uma criança se divertir e aprender. Todas as crianças necessitam de mover-se, criar aventuras e descobrir o mundo à sua volta e nada melhor para isso do que brincar.
Mas, o que acontece no cérebro de uma criança quando ela brinca? Aqui ficam algumas repercussões do ato de brincar:

  • Redução de stress, contribuindo para o bem estar e felicidade;
  • Regula o humor e a ansiedade;
  • aumenta a motivação física;
  • promove o estado ótimo da imaginação;
  • contribui para a criatividade individual e em grupo;
  • contribui para o aumento da concentração, atenção, aprendizagem e memória;
Assim sendo, os benefícios da brincadeira para a criança estão presentes em vários níveis, quer fisiológicos, emocionais, comportamentais e cognitivos.

Devemos assim permitir à criança ter o seu espaço de tempo para poder brincar livremente.

Termino este post com uma afirmação do professor Francesco Tonucci: "A experiência das crianças deveria ser o alimento da escola: sua vida, suas surpresas e descobertas. O meu professor fazia-nos sempre esvaziar os bolsos na sala de aula, porque estavam cheios de testemunhas do mundo exterior: bichos, cordas, cartas… Bem, hoje devem fazer o oposto, pedir às crianças para mostrarem o que carregam em seus bolsos. Desta forma, a escola se abriria para a vida, recebendo as crianças com os seus conhecimentos e trabalhando em torno deles “.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Como estimular à iniciação musical em casa

Têm sido várias as publicações que tenho feito sobre os benefícios da música para as crianças. Desta vez deixo algumas sugestões, retiradas da revista "Crescer", que podem ajudar os pais a iniciar o seu filho na música, e estimular o gosto por música:

- Colocar diferentes tipos de música para seu filho ouvir para aumentar as opções dele logo cedo. Arrisque mesmo: clássica, africana, indígena, jazz, samba.
- Faça brincadeiras com sons usando objetos da casa, como panelas, copos, talheres, caixas,... Não deixa de ser um maneira de produzir música.
- Sempre que possível, guarde 10 minutos por dia só para ouvir música com seu filho, sem realizar nenhuma outra atividade ao mesmo tempo. Todos irão ficar mais relaxados.
- Estimule as crianças a ouvir e identificar os sons da natureza, desde os passarinhos até o barulho das folhas ao vento. Isso também vale como experiência e memória musical.
- Cantem juntos, com e sem música de fundo. O efeito de cantar é o mesmo de tocar um instrumento.


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Música contribui para a concentração e deixa as crianças menos ansiosas

Investigação da Universidade de Vermont (E.U.A) mostra que crianças que aprendem a tocar um instrumento na infância melhoram as suas funções cerebrais ligadas a habilidades como memória, organização e controle das emoções



Deixar o seu filho tocar um instrumento musical, ou ter aulas de música, ajuda a estimular o seu desenvolvimento neurológico. Esta afirmação vem de  um grupo de pesquisadores da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, após estudo científico. Depois de analisar tomografias de 232 crianças entre seis e 18 anos, percebeu-se que estudar música melhora as funções executivas do cérebro, responsáveis por habilidades como memória, controle da atenção, organização e planeamento do futuro.

Os especialistas constataram ainda que o ensino musical aumenta a espessura de uma área nobre do cérebro, o córtex, responsável também pelo controle das emoções. “O estudo dos instrumentos leva o ser humano ao nível mais complexo de concentração do cérebro, que é a atenção executiva. É preciso ter foco e disciplina para aprender a ler partituras e marcar o tempo”, explicou a especialista em neurociência e música, investigadora Elvira Souza Lima.



Assim sendo, a criança pode iniciar-se na música a partir dos quatro anos, quando a criança já é capaz de fazer movimentos mais subtis com as mãos. “Essa aprendizagem modifica fisicamente o cérebro, principalmente quando ocorre antes dos sete anos, e os ganhos permanecem durante toda a vida, mesmo que a criança pare de tocar o instrumento”, diz Elvira, afirmando que o contato com a música, ainda que apenas como ouvinte, tem um grande impacto no desenvolvimento humano e prepara o cérebro para executar diferentes tipos de funções.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Sugestões de como preparar as crianças para o primeiro dia na escola

Se para algumas crianças entrar na escola primária é um momento excitante e de alegria, para outras acaba mesmo por se tornar um momento bastante complicado, pois muitas crianças tendem a ter receio da escola logo no primeiro ano, pois se por um lado teem receio do desconhecido por outro teem medo da separação dos pais.

Mas este é um momento bastante importante na vida de qualquer criança.

Deixo aqui algumas sugestões de como preparar a criança para este seu novo ciclo de vida:

- Em primeiro lugar deve preparar, aos poucos, a criança para a entrada na escola. Deve ir falando das suas experiências na escola, através da divulgação momentos marcantes e a importância que a escola teve para si, pois as crianças adoram histórias. Isto irá ajudar a que a criança crie espectativas positivas;

- Se existirem crianças mais velhas em casa, as mesmas devem participar em conversas animadas sobre a escola;



- Apresentar a escola à criança. É importante que antes do primeiro dia de aulas a criança vá conhecer a escola e toda a composição da mesma (especialmente os espaços de recreio). Isto dará uma percepção diferente à criança, uma vez que poderá visualizar que na escola também existem espaços de recreio e animação;

- Começar aos poucos a criar rotinas estratégicas. Neste caso deverá criar atividades e jogos lúdicos para a criança começar a perceber como é a entrada na escola. Por exemplo, porque não brincar "às escolas"?!


Para além destas atividades poderá também entrar em contato com alguns futuros colegas da criança, para no primeiro dia de aulas a mesma já ter uma certa proximidade com alguém e não se sentir sozinho.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ler, escrever, contar... e que mais? Afinal a escola apenas serve para isto?

Apesar dos ministros acharem que a escola apenas serve para ler, escrever e contar,sabemos que a escola não serve apenas para isso. Afinal a escola deve ter também um papel de descoberta de talentos e competências, detetar fragilidades... transmitir sabedoria que seja geral e sólida.


Partilho convosco a crónica do pediatra Mário Cordeiro:


"A Escola é parte integrante da vida das crianças, pelo menos até cerca dos 17 anos. O seu dever é descobrir talentos e competências, detetar fragilidades, dar informação, gerar conhecimentos e, sobretudo, transmitir sabedoria que seja geral e sólida, mas respeitando a diversidade individual. Cada um tem as suas competências mas também as suas incompetências: o objetivo é dar o melhor de si próprio e atingir o máximo das suas faculdades, e não ter como meta ser “o menino do Quadro de Honra”… mal estará a noção de honra, se esse for o caso!

Outro aspeto tem a ver com os ritmos de ensino, as longas aulas em que os alunos têm de estar mudos e quedos, com professores que não toleram ser questionados, odeiam argumentação e não aceitam que possa haver estudantes que sabem mais do que o mestre, em aulas em que não se respeitam, nem a biologia, nem a psicologia das crianças. Há professores e professores. Mas ainda se registam muitos casos de “ensino à moda antiga”, com s´tores papagueando temas e veiculando informação, como se abrir a cabeça aos alunos e enchê-la de dados fosse o passaporte para uma vida feliz. A política atual do ministério, aliás, vai ao encontro desta forma bafienta de pensar, dado que a criatividade, a estética, a música, as artes plásticas ou o desporto, por exemplo, são os parentes pobres da Escola.



Para lá disso, o que se aprende na Escola tem de ser sedimentado em todos os lados. As fontes de informação, conhecimento e sabedoria são cada vez mais vastas, da casa à rua, passando pela televisão, internet, livros, amigos, vizinhos, casos reais, ficção... assim, a Escola não é “a única que ensina” e tem de ter a humildade de pensar que complementa o resto, designadamente o que é feito em casa, e não educa, mas sim desenvolve uma relação em que uns aprendem e outros ensinam, e nem sempre os protagonistas são os mesmos. Levar isto à prática faz com que se tenha de repensar praticamente tudo e abandonar alguns dos métodos de gerações anteriores. Querem melhor desafio?
É também essencial a descoberta de talentos e competências – exigirá uma revisão ampla dos objetivos da Escola e dos sistemas de classificação. Há competências sociais e humanas que não são classificáveis, mas o atual sistema é ínvio porque conduz, desde o início, à conclusão de que a performance académica é a única que interessa. Basta ser bom a matemática ou a ciências, mas pode ser-se um “bandido sem escrúpulos”. O contrário será bastante penalizador... A Escola deve estar atenta aos talentos e capacidades, para desenvolver pessoas livres e felizes, assertivas e solidárias, e sobretudo ecléticas, que vivem uma vida própria e relacional.



Uma última palavra para o ambiente, que tem de ser acolhedor, à medida dos alunos e dos professores, onde a exploração dos limites do corpo possa ser exercitada sem perigos mas com riscos controlados. Onde os alunos se sintam bem e felizes, condição indispensável para o sucesso educativo. Um ambiente de qualidade, a todos os níveis, com regras, normas e rigor, mas com humor, alegria e descontração. Uma Escola assim fará mais pelo civismo e pela cidadania, e pelo futuro dos estudantes, do que milhares de “pregações” feitas por adultos em promessas de campanhas eleitorais."



domingo, 4 de setembro de 2016

O que se passa com as nossas crianças?

Afinal o que está a acontecer com as nossas crianças? Esta é uma questão bastante complexa e que ao ler sobre a mesma, decidi partilhar convosco a entrevista ao Dr. Augusto Cury sobre como criar as crianças nos dias de hoje.


Aqui ficam alguns pontos chave.

1- Excesso de estímulos
“Estamos a assistir ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam os presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos ou excesso de TV. Eles estão a perder as habilidades sócio emocionais mais importantes: colocarem-se no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

2- Geração triste
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar às nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa de se lembrar que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a aventurarem-se, a ter contato com a natureza, encantarem-se com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

3- Dor compartilhada
“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar das suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir a sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam o seu mundo com o dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos na sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

4- Intimidade
“Pais que não cruzam o seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras, estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio emocionais.”



5- Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam à frente das telas. Sugiro duas horas por dia. Se não colocares limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

6- Parabéns!
“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”

7- Conselho final para os pais
“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o telemóvel ao fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo, o síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar a mente, como vão ajudar os seus filhos a diminuírem a ansiedade?”



Fonte: M de Mulher

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resultado das candidaturas ao Programa Escolas Bilingues/Bilingual Schools Programme

Concluído o processo de candidatura ao Programa Escolas Bilingues/Bilingual Schools Programme, em Inglês, para agrupamentos de escolas/escolas não agrupadas do território continental, a Direção-Geral da Educação (DGE) divulga os resultados.


Foram selecionados para desenvolver o Programa Escolas Bilingues/Bilingual Schools Programme, em Inglês, em 2016/2017, os seguintes agrupamentos de escolas/escolas com o seguinte âmbito:

AE Gardunha e Xisto, no 1.º e 2.º CEB, em 2 escolas (EB1 N. Sra. do Rosário e EB da Serra da Gardunha);

AE António Nobre, na educação pré-escolar e no 1.º e 2.º CEB, em 2 escolas (EB1/JI do Monte Aventino e EB da Areosa);

AE José Estêvão, no 1.º e 2.º CEB, em 3 escolas (EB1 Solposto, EB1 S. Bernardo e EB2 S. Bernardo);

AE de Valadares (V.N. de Gaia), na educação pré-escolar e no 1.º e 2.º CEB, em 2 escolas (EB da Junqueira e na EB 2/3 de Valadares);

AE de Marco de Canavezes, na educação pré-escolar, em 2 jardins de infância (JI do Ramalhais e EB1/JI da Carreira);

No AE de Santo André (Barreiro), na educação pré-escolar, num jardim de infância (EB1/JI Telha Nova 1);

AE de Samora Correia (Benavente), na educação pré-escolar, num jardim de infância (JI Prof. António José Ganhão);

AE Marinha Grande Poente, na educação pré-escolar, num jardim de infância (EB da Várzea);
AE de Idães (Felgueiras), no 2.º CEB, numa escola (EBS de Idães);

AE de Valongo, no 1.º CEB, numa escola (EB1 de Campelo);

No AE de Campo (Valongo), na educação pré-escolar, num jardim de infância (Escola da Azenha).

Link para histórico da candidatura http://www.dge.mec.pt/noticias/linguas-estrangeiras/candidatura-ao-programa-escolas-bilinguesbilingual-schools-programme

Para esclarecimentos adicionais sobre o Programa e/ou os resultados da candidatura, poderá contactar a DGE, através do email dsdc@dge.mec.pt ou do telefone 21 393 45 59.

Fonte: DGE

Sugestões de como estabelecer regras com as crianças

"Tudo o que é pequenino tem graça, mas quando a pequenada se apercebe que tem vontades próprias, a graça pode transformar-se em desgraça! Falamos, naturalmente, das fases das birras, das crianças mimadas e incontroláveis que não nos dão descanso. Como qualquer ser humano, também os miúdos necessitam de regras básicas para poderem explorar e vingar no seu pequeno mundo… sem deixar os pais à beira de um ataque de nervos.



A importância das regras e dos limites

O pediatra norte-americano Berry Brazelton afirma que “para as crianças crescerem bem, precisam apenas de amor e limites” – o amor é fundamental para crescer com confiança e auto-estima; os limites são cruciais para a criança aprender o autocontrolo, para que possa viver em família e em sociedade. Ou seja, no que toca às regras de comportamento lá em casa (e fora dela!) é realmente de “pequenino que se torce o pepino”. A educação começa em casa e não tem de se sentir culpado por ser demasiado rigoroso – as crianças tornam-se adultos equilibrados porque viveram com regras e limites, não ao contrário.

Poucas e boas

Estudos de comportamento infantil revelam que as crianças respondem muito bem a regras, desde que sejam simples e limitadas em quantidade. A partir do momento em que a criança seja crescida o suficiente para perceber entre o que está certo e errado, estabeleça as regras que sejam adequadas à sua idade, de forma clara e uma de cada vez, para não as confundir. É melhor memorizarem poucas do que nenhumas. Sem perder a autoridade ou fazer muitas cedências, tente manter alguma flexibilidade: por exemplo, ao explicar à criança esta ou aquela situação, dê-lhe três possíveis cenários, pedindo-lhe que dê a sua opinião sobre qual o caminho certo a seguir. Para além de a envolver e fomentar a sua independência, torna a imposição de limites menos rígido e menos “pesado”, sendo a “negociação” a forma mais fácil de fazer com que os miúdos aprendam a respeitar as regras. Claro que estabelecer e impor limites aos seus pequenos anjos vai, por vezes, custar-lhe (é um sentimento normal), não vai ser fácil e demorará o seu tempo. Mas a paciência, o amor e a aprendizagem conjunta vão dar uma ajuda preciosa.



Como estabelecer regras

Quando quiser implementar uma regra, fale com a criança calmamente, explicando o que pretende da forma mais clara possível, perguntando-lhe várias vezes se tem dúvidas. Explique-lhe, de igual modo, quais as consequências do não cumprimento das regras. Os “castigos” devem ser bem claros e executáveis, ou seja, não diga que a vai privar de ver televisão uma semana se sabe que nunca terá a coragem de o fazer. Dê-lhe alguma liberdade dentro do cumprimento das regras, ou seja, se sabe que às 21h00 tem de ir para a cama e tem de lavar os dentes e arrumar os brinquedos antes de ir, deixe-a escolher o que quer fazer primeiro. As regras também podem ser divertidas!

Portei-me mal!

Se a criança “ameaça” não cumprir uma das regras, dê-lhe um aviso de 5 minutos, falando calma mas seriamente e lembre-lhe as consequências. Depois de verificar que a regra não foi cumprida ou foi parcialmente cumprida, pergunte-lhe porque é que não o fez, explique-lhe como é que se faz (no caso de ter tido alguma dificuldade) ou ajude-a a terminar a tarefa, dizendo que para a próxima já vai conseguir fazê-la sozinha. A forma mais fácil de uma criança se tentar livrar de cumprir as suas regras é fazer uma birra, no entanto, os adultos nunca devem ceder às birras infantis. Se chegar ao ponto que o castigo é necessário, não hesite em cumpri-lo, ou seja, não mude de ideias, não altere o castigo “prometido” – de outra forma, pode passar a ideia de que as consequências não são reais e tanto faz cumprir ou não as regras.

Portei-me bem!

Não se focalize demasiado no mau comportamento e procure dar igual atenção ao bom comportamento. Quando a criança arruma os seus livros ou lava as mãos sem ninguém lhe dizer nada, elogie-a e dê-lhe mimos – não há nada que as crianças gostem mais do que ser alvo da atenção dos pais (por bons motivos claro!), por isso, é natural que continuem a portar-se bem, só para continuarem a chamar a sua atenção. Quando a criança se portar bem e pedir alguma coisa com calma e educação, pondere fazer-lhe a vontade."





Texto retirado por completo do site: http://pequenada.com/

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sugestões para que as crianças tenham um bom comportamento na escola

Sabemos que nem todas as crianças são iguais, nem o seu comportamento o mesmo, sendo que algumas crianças têm um comportamento menos exemplar. Isso leva a que afete a sua aprendizagem, a sua relação com colegas, professores e outros funcionários da escola. 



Deixo aqui 7 dicas para lidar com o mau comportamento das crianças na escola, com base no artigo do site pequenada.com:

1. Permanecer em contacto com a escola
Os encarregados de educação deverão estar sempre em constante comunicação com a escola, de modo a que os professores possam comunicar quaisquer problemas relativos ao comportamento das crianças em ambiente escolar. No geral, deverão estar sempre informados sobre os comportamentos das crianças quando estas estão longe dos seus olhos.


2. Estar em contacto com as crianças
De modo a que as crianças compreendam que se deverão comportar em todos os momentos, é importante que os encarregados de educação comuniquem com elas, ficando a par de todos os problemas que possam acontecer na escola. Assim, as crianças sentir-se-ão mais à vontade para falar dos seus problemas e os encarregados de educação conhecerão a versão dos petizes como a dos professores.


3. Dar educação em casa
As crianças deverão ser educadas em casa, aprendendo a ser melhores pessoas em todos os locais e circunstâncias. A educação é muito importante e não deverá esperar-se que a escola trate desse assunto. Na escola, os professores e auxiliares lidam com muitas crianças ao mesmo tempo e não faz parte dos seus deveres dar educação às crianças.


4. Aplicar castigos sempre que necessário
Para que as crianças compreendam que as suas atitudes têm consequências é preciso estabelecer regras. Sempre que uma criança tiver um mau comportamento, deverá ser castigada de acordo com as suas atividades de diversão. Pode, por exemplo, cortar-se o acesso ao computador até que ela aprenda a estudar corretamente e a comportar-se na escola.




5. Atribuir recompensas nos momentos certos
Se a criança largar o mau comportamento e aguentar-se corretamente na escola, esse momento também não deverá passar despercebido. É importante que as crianças sejam recompensadas por ultrapassar os problemas de modo educado e coerente. Só assim é que terão bons exemplos.


6. Oferecer ajuda
Os encarregados de educação deverão ajudar e ensinar as crianças a lidar com os problemas de forma educada e civilizada. Só assim é que elas evoluirão enquanto seres humanos. Por outro lado, também é muito importante que as crianças sejam ouvidas e compreendidas.


7. Prestar apoio em todas as situações
É da responsabilidade dos encarregados de educação apoiar os seus educandos em todas as situações (mesmo as mais embaraçosas e desagradáveis). É importante que conheçam os professores, os colegas e amigos das suas crianças para que compreendam completamente o ambiente em que as crianças se inserem. É também importante ensinar que, embora outros alunos apresentem mau comportamento, os seus educandos deverão manter-se bem comportados e dar o exemplo.


De modo a que as crianças tenham um comportamento exemplar é necessário que os pais estejam a par de todos os problemas e situações que acontecem na escola. Eles não deverão recorrer à violência física e desatar à palmada para a resolução dos mais variados problemas, mas sim comunicar com a escola e com os seus educandos. No fundo, devem educar as suas crianças, dar-lhes mecanismos para lidar com os problemas e recompensá-las ou castigá-las usando a disciplina como método de controlo do seu comportamento.



Fonte: http://pequenada.com/

Quando são as crianças a cuidar dos pais.

Boa tarde a todos.

Partilho este texto e entrevista a Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra e defensora dos direitos da crianças e que reflete uma das situações que apesar de acharmos irreal ela é bem real e acontece muitas mais vezes do que pensamos.


"Ana Vasconcelos é uma das principais aliadas das crianças portuguesas: no seu consultório passam diariamente muitas crianças em sofrimento. Nasceu em Lisboa, formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria da criança e do adolescente em Paris. Participou no primeiro curso de mediação familiar do CEJ (Centro de Estudos Judiciários), é um dos membros fundadores da Associação Portuguesa de Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica e membro da SPPS (Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde).


Também já lhe pedi conselho várias vezes, para vários artigos, mas hoje estamos sem ‘tema’. Afinal, é uma entrevista. Podemos começar por qualquer sítio. Pergunto-lhe se quer dar o mote, desafio que a pedopsiquiatra aceita imediatamente: “Muito bem. Então dou-lhe o seguinte: ‘para que os amanhãs possam cantar’, de que me lembrei a propósito de um poema da Sophia de Mello Breyner, que nos faz pensar que o dia de hoje tem de nos ajudar a que a gente se sinta esperançosa.


Temos falta de esperança, hoje?
Acho que, mais do que nunca, temos receio do futuro. Porque o presente não tem sido bom, e nós alicerçamos o futuro no presente. Uma das coisas complicadas na pedopsiquiatria é que cada vez mais se faz clínica do instante em vez de clínica da história da pessoa. Os médicos têm muito pouco tempo para os pacientes, os professores têm muitas crianças. E faz-nos muita falta um tempo de melhor qualidade que não esteja tão ameaçado por estes ritmos da competição e da funcionalidade.


Quando é que as coisas começaram a correr mal?
A partir da altura em que a sociedade industrial criou a competição e a filosofia do ‘ou eu ou tu’. Dantes, na sociedade tribal, o que reinava era o coletivo e a partilha, embora houvesse sempre quem mandava e quem obedecia. Mas esta sociedade está a gerar muitos problemas na sua competição desenfreada.


A competitividade não pode desenvolver as nossas capacidades?
Pode, se estiver inserida num plano de desafio e não num plano do ‘ou eu ou tu’. Mais do que ‘eu melhor do que tu’ devemos educar para o ‘nós melhores do que há pouco’. Curiosamente, há quem diga que os miúdos não estão a ser educados para o brio, em que se dá o nosso melhor para alcançar um objetivo. O brio não está ligado à competição, está ligado ao reconhecimento. Esforçamo-nos mais quando alguém reconhece o nosso empenho.


Mas as crianças não querem todas ser melhores do que as outras e ter tudo para elas?
Claro que sim. Isso é natural. A partir dos 12 meses o individualismo tem de dominar, porque eu tenho de saber pisar bem o chão para me sentir seguro. Mas é muito importante que nesse individualismo, que é inerente ao desenvolvimento do cérebro, exista um cuidador que comece a educar para a empatia. Que diga – Muito bem, foste buscar um rebuçado para ti, podes trazer outro para o mano? – Que saiba orientar do individualismo para a partilha.


E quando as próprias mães querem que os filhos tenham mais do que os outros?
Isso acontece porque os adultos se descentraram do seu papel de responsabilidade parental.


E qual é esse papel?
Os adultos devem ser bússolas empáticas para as crianças. A empatia tem de existir porque nós temos neurónios-espelho que têm de ser postos a funcionar. Os neurónios-espelho são aquilo que em nós reconhece o outro a partir das nossas experiências. É pela forma como eu sei dar, que eu sei me sentir no mundo. E não se trata de ser ‘boa pessoa’. Trata-se de perceber, como dizia o Adriano Moreira, que o mundo é a casa de todos os homens.


O problema é que os miúdos são hoje mais educados por ecrãs do que pelos pais… 
O que acontece é que os ecrãs não estimulam os neurónios-espelho. Quando eu olho para os olhos de alguém, olho para os olhos da pessoa porque sei que também tenho olhos. O outro é o meu reflexo. Se o outro estiver dentro de um ecrã, não existe essa convocação de determinadas memórias em que eu vou tentar perceber o que o outro sente baseado nas minhas próprias experiências. Eu posso dizer – Olha, tens o cabelo um bocadinho despenteado – ou então– Estás mesmo feia, vê lá se te arranjas. A maneira como eu coloco o outro dentro de mim vai determinar se consigo ou não construir uma relação de sintonização afetiva. Num ecrã, só temos a parte visual, e não a parte das memórias afetivas. Isto está ligado à comunicação icónico-simbólica, que é o que está a causar tanto do insucesso nas nossas escolas.


Pode explicar?
Os miúdos têm hoje muita dificuldade em chegar aos conceitos sem uma coisa concreta. Tipo: ‘A Galp? Ah, aquela coisa cor de laranja’ – em vez de – ‘A empresa que explora o comércio da gasolina em Portugal’. Ou seja, eles não têm palavras para explicar os conceitos.


Porque é que não têm palavras? 
Porque estão entupidos com imagens das máquinas. Um filme dá 18 a 30 imagens por segundo, nós só dizemos 4 ou 5 palavras por segundo. Portanto, temos que dar-nos muito mais tempo para ir buscar ao nosso dicionário as palavras com que descrever uma situação. No 11 de Setembro, quando as torres caíram, reparei nas pessoas que me conseguiam explicar bem a situação. A maioria convocava as imagens do terror, mas não conseguia descrever as imagens do seu cérebro. Como nós todos partilhávamos as mesmas imagens, era mais fácil convocar o ícone. Problema: um ícone ajuda-nos a reconhecer imediatamente as coisas, mas podemos eventualmente não partilhar os mesmos sentimentos ou opiniões, e isso gera imensos equívocos.


Estamos a caminhar para um pensamento por imagens?
Sim. Estamos a caminhar para um pensamento muito económico e simbólico. Isso ajuda na pressa com que temos de viver o quotidiano, mas não ajuda no desenvolvimento da nossa identidade narrativa. Permite sintonizar-nos mais rapidamente com o outro. Mas o nosso tempo é de egocentrismo e individualismo, é um tempo que nos afasta da nossa própria história.


Quais são as consequências de estar longe da nossa história?
Dou-lhe um exemplo. Quando eu fui a Paris fazer a minha tese de doutoramento, trabalhei com porteiras portuguesas e com mães tunisinas e espanholas. Verifiquei que os miúdos portugueses eram passivos, calados e gordinhos, enquanto os tunisinos eram alegres e ativos. E percebi que, enquanto as mães tunisinas partilhavam com orgulho a sua cultura e a sua história coletiva, as mães portuguesas viviam numa tristeza brutal e silenciosa. E eu perguntava – Então não fala sobre Portugal aos seus filhos? – e elas queriam era esquecer, estavam num estado depressivo que fazia com que inibissem verbalmente as memórias e que as incapacitava de serem mães atuantes junto dos filhos. Eram mães sem narrativas, com imensas lágrimas e uma solidão brutal. Isso hoje, felizmente, já não é tanto assim.


Porque é que a procuram hoje, no seu consultório?
Basicamente, pela desadaptação dos filhos, quer social quer escolar. E também pela não-comunicação dos miúdos, sabendo que os miúdos neste momento fazem apelos aflitivos: ou se cortam, ou deixam cartas, ou fazem desabafos nas redes sociais. Mas como as pessoas já não conversam tanto, estes sinais são mais visíveis, ou adivinhados, nem sempre há uma comunicação verbal. Às vezes é difícil estar atento. A nossa vida é difícil, Portugal é um país difícil, e portanto somos muito desviados da nossa condição de cuidadores.


Por outro lado, nunca como hoje se publicou tanto livro sobre parentalidade…
É verdade. Por um lado, desvalorizamos a intuição. Há dois tipos de pessoas: os analíticos e os intuitivos. O pensamento intuitivo ficou muito desvalorizado pelo ‘boom’ da educação. Por outro lado, tentar o que se aconselha nos livros é a mesma coisa que fazer leite-creme pela receita: aquilo nunca sai bem à primeira, é preciso treinar. E nós não temos paciência, queremos que as coisas resultem imediatamente. Outras vezes, vemos os sinais dos filhos e queremos respostas imediatas. Por exemplo, a criança amua e nós vamos a correr ao psicólogo, enquanto os nossos avós encolhiam os ombros e diziam: ‘Tem mau feitio…’


Os pais também se queixam de que os filhos não comunicam?
Dizem: ‘Mas ele não me quer dizer o que tem!’ Não: ele não consegue. Claro que ele verbaliza ‘Eu não quero’. Mas não está é a conseguir explicar. É essa ligação que importa conseguir. Porque o nosso cérebro existe para a gente lidar com a nossa imperfeição física. Todos nós somos fisicamente mal-paridos (risos). E o cérebro desenvolve-se cada vez mais para compensar esta fragilidade física. O cérebro dá-nos a opção de analisar, decidir e escolher o que fazer.


Mas os pais estão hoje muito obcecados com as crianças…
Sim. Não era preciso tanto. Acho que, neste momento, o essencial é voltar às coisas simples.


Disse uma vez que não estamos a educar para a autonomia… 
E não estamos. O pensamento pouco reflexivo faz com que as pessoas precisem muito de utilizar o material, o concreto. Dantes ligava-se aos filhos uma vez por dia, à noite. Agora pegamos no telemóvel e ligamos a toda a hora, queremos resposta imediata, somos muito impacientes. ‘Onde é que estás?’ – é a nossa pergunta constante. Ora o que é que isso interessa onde está? Se ele tiver esta ‘corda’ pequenina, não desenvolve autonomia, só desenvolve insegurança.


Houve alguma altura em que tivesse pensado ‘a minha experiência não me está a ajudar com os meus filhos’?
Houve. Quando me divorciei. Tenho três filhos, o mais novo tinha 2 anos, o mais velho, 10. Isto pode parecer estúpido, mas eu senti que seria desonesto dizer uma coisa no meu consultório e fazer outra na minha vida. Aquilo que nos dá mais tranquilidade interna é a coerência, que se consegue não pelo que se diz mas pelo que se faz, no resultado das nossas ações. Quando penso nisso, acho que sim, que consegui. Mas percebi então que não era uma supermãe.


O que é preciso hoje para sermos bons pais, embora não superpais?
Gostar de nós e gostar dos miúdos. É o essencial. Claro que isso depois implica montes de escolhas. Por exemplo, eu nunca me preocupei muito em ganhar dinheiro. Temos de saber o que queremos na vida, quais são as nossas prioridades. E temos de ser honestos com as nossas capacidades e limitações. Ainda hoje sinto, como mãe e como avó, que faço muita asneira, todos os dias. Mas sendo ateia, sempre tentei que a minha culpabilidade em relação a isso se transformasse em tentar fazer melhor.


Há maneira de escapar à culpa materna?
Talvez não. Mas cada um tem de construir o seu ‘mapa-mundi’ pessoal dentro de si. Temos de perceber que não somos imortais. Temos de pensar no nosso fim, para sermos mais humildes, porque andamos a gastar-nos em coisas que não nos dão lucro humano.


Fale-me de uma pessoa fantástica que tenha ido ao seu gabinete...
Todas as crianças são fantásticas, porque está ali tudo a começar. Eu faço de Sherlock Holmes em todas as consultas. Os miúdos que estão em sofrimento dão-nos sempre pistas e mostram-nos como somos fantásticos, nós, humanos, a pensar e a sentir. Uma coisa que me comove imenso hoje em dia é a quantidade de crianças que neste momento são cuidadoras de pais infelizes. Esta capacidade de generosidade é imensa. É claro que elas precisam que os pais cuidem delas, mas há miúdos com uma capacidade imensa de cuidar do outro no sentido de preservar os laços que unem aquela família. As crianças defendem os pais mesmo quando esses pais são disfuncionais. Isto é muitíssimo comovente. E também é por isso que nunca se deve obrigar uma criança em situação de litígio a escolher um dos pais.


Defender os pais não é uma técnica de sobrevivência?
No limite, todo o tipo de afeto é uma técnica de sobrevivência. Porque nós só conseguimos muito tarde tornar-nos autónomos dos nossos pais. Portanto, temos de garantir o seu afeto. O nosso cérebro é gregário, é de partilha, não é de um predador. Não há cérebros sozinhos. O bebé tem uma predisposição para se sintonizar com um adulto cuidador, mesmo um mau cuidador. Por isso é que muitas vezes os miúdos copiam os pais mesmo em situações negativas. Mas isso não os torna menos comoventes.


Voltámos aos amanhãs que cantam?
Voltamos sempre. Estamos em tempos muito escuros, mas acredito verdadeiramente que, se soubermos procurar, há sempre uma luz que vem ao nosso encontro."


Fonte: Activa.sapo

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Concurso de Fotografia para jovens Europeus

"Viajar está nos teus planos? E se for de forma gratuita? Se estás interessado, é simples! Basta teres uma lente à mão, reunir os requisitos e participar. Podes ganhar duas viagens: a primeira será a Salónica, para visitares o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional (CEDEFOP), em novembro, e, a segunda, a Bruxelas, no âmbito da primeira semana europeia de competências profissionais, agendada para dezembro.

O tema da competição, organizada pelo CEDEFOP, é “os jovens na formação profissional” e as fotografias deverão retratar como estes se veem no seu ambiente escolar ou de aprendizagem em contexto de trabalho.

Para participares necessitas de ter uma conta na rede social Instagram, com perfil público, e de seres cidadão da União Europeia, com idade entre os 18 e os 30 anos.
O concurso decorre até 11 de setembro e cada concorrente pode submeter até um máximo de três fotografias, acompanhadas do hastag‪#‎CedefopPhotoAward‬.

A primeira semana europeia das competências profissionais, que decorre de 5 a 9 de dezembro, é organizada pela Comissão Europeia, com o envolvimento do CEDEFOP e da Fundação Europeia para a Formação, tendo por objetivo inspirar as pessoas a descobrirem e usarem o seu talento através da formação profissional."




Fonte: ANQEP - Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional

Estatísticas da Educação em Portugal: Alunos

Já se encontra disponível para consulta o relatório estatístico relativamente à Educação em Portugal, relativamente ao número de alunos.

No relatório poderá observar o número de alunos matriculados por nível de educação e ciclo de estudos, a distribuição dos alunos matriculados no ensino secundário por modalidade de ensino, dados relativos a docentes e não docentes assim como dados estatísticos relativos a estabelecimentos de ensino.

Consultar relatório completo aqui.




quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O Conto Infantil e a arte de contar

Acabei de ler esta entrevista que acho muito boa, e como venho defendido mostra bem a importância do Conto para as Crianças.



Transcrevo então, a entrevista publicada no AbrilAbril:
Cristina Taquelim dedica a sua actividade profissional à promoção da leitura e à arte de contar. Co-organizadora do conhecido encontro internacional «Palavras Andarilhas» – que este ano o Município de Beja e a sua Biblioteca promoverão, uma vez mais, entre os dias 25 e 28 de Agosto –, é também autora de livros para a infância. Tudo boas razões para uma conversa.



Continua a dar-se, quase por inteiro, à promoção da leitura no concelho de Beja, como uma espécie de braço-armado-de-livros da Biblioteca, que percorre escolas, instituições, lugares diversos. Ultimamente o seu trabalho alarga-se aos mais idosos. É possível pô-los a ler, ou pelo menos a manterem-se activos e a viverem num ambiente de literacia? Qual é o seu propósito principal, nesse âmbito?

A minha vida profissional está profundamente marcada pelo trabalho que desenvolvo desde 1988, no concelho de Beja, enquanto técnica da Divisão de Bibliotecas e Museus do Município.

Tive o privilégio de integrar desde a primeira hora a equipa do Figueira Mestre e contribuir para a estratégia que desde sempre norteou o nosso trabalho: «Uma biblioteca ao serviço do leitor». A promoção da leitura sempre foi a minha área de intervenção, dentro da organização, procurando caminhos e sentidos, coordenando uma pequena equipa que se foi qualificando para cumprir aquele que creio ser o grande desígnio das bibliotecas: «Criar e alimentar comunidades» (não é minha a frase, mas sei que a ouvi algures).

Em 2009, o Município lançou um novo programa de Leitura em Meio Rural que permitiu melhorar a resposta às comunidades rurais e integrar alguns projectos junto de novos públicos. Ampliando trabalho junto de grupos em situação de isolamento e exclusão social, apostando numa intervenção regular e continuada. É esse o contexto do projecto «Conversas Andarilhas» que desde 2009 se desenvolve junto de grupos de idosos e que ganha novo fôlego, a partir de 2012, graças a um projecto apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Esta linha de trabalho desenvolve-se na base de encontros regulares com grupos de idosos, em que se conversa em torno de livros, contos, mas sobretudo histórias de vida. São momentos importantes de quebra de isolamento, de estimulação cognitiva, de valorização da memória e identidade destes homens e mulheres. Tentamos trabalhar cruzando o oral e o impresso, os textos da cultura popular com os da esfera literária, as memórias do vivido com as memórias do ficcionado. As competências leitoras de cada grupo, o seu grau de autonomia, a história de cada um dos seus elementos são os pontos de partida. A eles junta-se a capacidade relacional de cada dinamizador. Estamos a falar de um trabalho de relação que assume uma natureza ora mais performativa, ora mais participada, mas sempre centrado na palavra, na imagem, no livro. Temos quem leia romances, quem prefira o Almeida Garrett ao Mário de Carvalho, quem leia almanaques, bíblias, páginas de poesia dos jornais locais, quem só goste de biografias e também quem não leia nada e apenas venha para estar à conversa.

Conversamos muito sobre o que sabemos, pensamos e sentimos e ficamos surpreendidos com a maneira como os escritores falam do mundo: como o Manuel da Fonseca contou, em Seara de Vento, a história do Cantinho da Ribeira, como a Isabel Minhós Martins fala do Alqueva no livro O que vês dessa janela, como o António Mota fala desses Outros Tempos ou dos dramas de A Casa das Bengalas. Partilham-se memórias em torno de romances, adivinhas, adágios, trava-línguas escutados na infância. Identificamo-nos com as descrições de Eduardo Olímpio sobre os bailes e funções na serra. Lemos poemas e conversamos sobre as letras de fados e canções. Há quem só venha cantar. Há quem apenas siga a sessão com os olhos por incapacidade motora de comunicar. Cantamos muito para espantar tristezas e medos.



A Biblioteca de Beja, com todo o seu savoir faire, Cristina, prepara-se para, uma vez mais, pôr de pé o encontro «Palavras Andarilhas» – que se tornou uma espécie de imagem da marca da cidade e o principal pólo português da arte de contar e ouvir contar. Quer partilhar connosco algumas notícias frescas?

Um savoir faire, como sabem, feito de muitas cumplicidades e da permanente procura de sentido para este projecto. Ele reflecte o trabalho da biblioteca e sinaliza o caminho para os anos seguintes. Contar e ouvir contar constitui o centro das Andarilhas, mas elas sublinham a importância do trabalho com a palavra nas suas múltiplas dimensões, oferecendo-se como um espaço de aprendizagem e troca de experiências de muitos mediadores de leitura que trabalham nas redes de leitura portuguesas. Do programa deste ano, que se desenvolve entre 25 e 28 de Agosto, destacaria, como temas de fundo, as questões do maravilhoso na tradição oral, a mediação da leitura na infância e juventude, sublinhando alguns géneros menos discutidos e que parecem constituir-se como boas ferramentas para os mediadores: poesia e micro-ficção. As conferências, tertúlias e oficinas cruzam-se com um novo projecto, Festival de Contos do Mundo, que contará com a presença de um bom painel de narradores nacionais e estrangeiros. O Jardim Público será nestes dias o coração da cidade dos contos, mas a oferta de actividades expande-se pelo centro histórico da cidade e freguesias rurais.

Qual continua a ser para si o principal sentido do contar e ouvir contar?

Independentemente da idade, do contexto, das competências e saberes, contar é a arte da relação. Posta ao serviço de uma estratégia de promoção de leitura, ela serve o desenvolvimento da linguagem: veja-se o papel das adivinhas no desenvolvimento de processos de antecipação leitora, das lengalengas no desenvolvimento da consciência fonológica, dos contos cumulativos e outros, na construção de esquemas narrativos. Contar e ouvir contar constitui um espaço e um tempo de reflexão sobre as metáforas do mundo e da vida, mapeando valores, emoções e afectos. Ouvir contar apoia o desenvolvimento da escuta e da memória, sem as quais não existe aprendizagem, bem como a organização de enunciados orais, de mecanismos expressivos.

Mas contar e ouvir contar também são apenas lazer, fruição, colo e embalo.

É por causa desse mesmo sentido que passou à escrita, com livros sobretudo para os mais novos, como Malaquias (RHJ, 2007), Na minha casa somos sete (Pé de Página Editores, 2009), Uma casa na Lua (Paulinas Editora 2011), Corrupio (Editora Lê, 2013)?

Nasci numa casa de palavras e sempre escrevi muito e irregularmente, para a gaveta e mais tarde por necessidades de profissão. As minhas discretas incursões no mundo da edição surgiram por curiosidade e incentivada por aqueles que me amam. Fracos motivos para editar, como vêem. Suponho que o facto de ter uma forte relação com a oralidade e com a literatura para a infância também tenha influenciado. Em quase tudo o que publiquei está presente aquilo que eu sou, aquilo que penso, e fi-lo com verdade. Às vezes os textos são apenas brincadeiras de dizer, encontro-lhes hoje muitos defeitos e outras tantas virtudes, algumas até ao revés do cânone literário. As histórias rimadas da minha avó são uma voz de fundo de quase todos os textos. A minha história, também a leitora, fez o resto.

E Corrupio, o mais recente, editado no Brasil, o que é? Diga-nos nas suas palavras.

É um pequeno álbum, ilustrado pela Elisabeth Teixeira e publicado pela editora brasileira Lê, que contou com o apoio da DGALB. Uma história sobre o desejo e onde ele nos leva. Uma metáfora sobre a descoberta da vida, sobre o amor. Está «prescrito» – ironizo – para pré-leitores, mas a leitura em voz alta apenas do texto pode oferecer uma recepção interessante junto de outros públicos.

Em sua opinião, este mundo perigoso, socialmente injusto e desigual, em que estamos a viver, reclama o contar e o ouvir contar?

O mundo nunca foi justo e está cada vez pior! – dizia no outro dia, do alto dos seus 90 anos, uma leitora de biografias. Os contos dão-lhe razão. Veja-se os textos do património imaterial, cantados e contados, sobre pobres e ricos, mulheres e homens, sábios, espertos e parvos, justos e prepotentes. Se os instrumentalizarmos ao serviço de didactismos excessivos, se os desligarmos da geografia de vida do contador, se os limparmos do sangue e das lágrimas, os contos servirão para pouco. Os contos oferecem-se como matrizes, arquétipos, portas de acesso ao simbólico, ao maravilhoso, e o mundo precisa de religar-se com a sua raiz, reforçar a sua identidade para não temer o outro, o mundo precisa de se ficcionar, sonhar.

Precisamos de ouvir, mas precisamos muito de nos contar: contar para organizar os dias, para nomear o inominável. São múltiplas as formas de ter voz social e pôr essa voz ao serviço do outro. O trabalho de mediação da leitura deve possibilitar a criação de condições para a descoberta destes e de outros instrumentos expressivos. Deve facilitar os códigos de acesso às representações do mundo, para que cada um possa escolher em liberdade.



Fonte:http://www.abrilabril.pt/cultura